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Mais que Uma Medalha: O Fair Play que Mudou a Chegada em Cascavel

Francisco Viana contou ao Jornal Endörfina

Algumas chegadas ficam na memória pelo tempo. A do Veneno da Cobra Sprint Triathlon, em Cascavel (PR), no domingo, 15 de fevereiro de 2026, ficou por um motivo mais raro: um atleta com a vitória provável escolheu não vencer.   

O vídeo que viralizou mostra Francisco Viana desacelerando a poucos metros da linha para permitir que Gustavo Henrique Wiebbeling cruzasse em primeiro. A situação começou antes, no ciclismo: Gustavo, que liderava, acabou completando uma volta a mais, o que o fez perder a liderança. Ao perceber o que tinha acontecido, Francisco preferiu que o desfecho refletisse a disputa de forma justa.


 
Para ir além do recorte do vídeo, o Jornal Endorfina ouviu Francisco por WhatsApp, em áudio, com perguntas diretas sobre o momento da decisão, sua rotina e como ele lidou com a repercussão.

Quem é Francisco Viana?
Francisco Luiz Viana Neto, 40 anos, é de Londrina (PR). É bombeiro militar há 21 anos e treinador de triathlon há 15. No esporte, são 19 anos praticando triathlon. A rotina é “puxada”: treino às 5h, alternando corrida e ciclismo, e ainda encaixa natação e fortalecimento durante o dia. Ele também mantém uma academia de musculação e trabalha no quartel em horário comercial. (Entrevista Endorfina)

O detalhe que pouca gente percebe: Ele estava competindo para ganhar
A narrativa fácil seria dizer que Francisco “fez o certo desde o início”. Não foi assim. Na entrevista, ele conta que, ao perceber a situação ainda no ciclismo, sentiu alívio: “já estava ganho”. Chegou a segurar o ritmo no pedal para correr mais forte. Quando saiu para a corrida e viu Gustavo chegando da bike, entrou em modo prova: “imprimi um ritmo bem forte… para não dar chances”. (Entrevista Endorfina) Ou seja: até ali, era disputa. Sem teatro. O estalo veio tarde: nos últimos 400 metros

A mudança aconteceu na reta final.
Francisco diz que passou a corrida inteira pensando em chegar e comemorar. Mas, faltando cerca de 400 metros, veio o estalo: havia muita gente torcendo pelo Gustavo, com família e amigos presentes, e ele sentiu que não merecia ganhar daquela forma. Antes da largada, ele já havia cumprimentado o rival e até brincado que “aquele dia era o dia dele”, reconhecendo a vantagem do atleta mais jovem em provas curtas. (Entrevista Endorfina)

Viralizou. Vieram elogios, críticas e distorções.
Quando a cena explodiu, veio o pacote padrão das redes: gente elevando a “lição”, gente chamando de ingenuidade, gente tentando impor intenção. Francisco não compra nenhuma dessas narrativas. Ele resume com maturidade: cada um vai ter uma opinião, e isso é parte do jogo quando algo viraliza. (Entrevista Endorfina)

E a organização da prova?
Aqui vale precisão, porque muita gente tenta transferir responsabilidade para a organização. Francisco afirma que a organização foi impecável e que a prova estava sob controle de membros da Federação Paranaense de Triathlon. Ele reconhece que erro de volta acontece com certa frequência e crava o ponto principal: a responsabilidade final é do atleta em contar e ele mesmo já errou no começo da trajetória, na segunda prova. (Entrevista Endorfina) Os resultados publicados do evento registram Gustavo em 1º e Francisco em 2º no Sprint, em linha com o desfecho mostrado no vídeo.   

Por que isso importa? 
Porque o esporte (e a vida) empurra para uma justificativa confortável: “se aconteceu, eu aproveito”. O que fez essa chegada virar notícia não foi gentileza. Foi uma decisão difícil tomada sob adrenalina: que tipo de vitória vale a pena carregar.

No fim, a prova mediu tempo. A reta final mediu caráter.

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