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Poeira, Montanha e Segundo Lugar no Mundo: Gabriela Ferolla e Hugo Prado na Cape Epic 2026

Quarenta graus de calor. Poeira solta no rosto. Setecentos quilômetros de trilha cortando as montanhas do Western Cape sul-africano. É nesse cenário que Gabriela Ferolla, 20 anos, e Hugo Prado Neto, 47, estão representando o Brasil na Absa Cape Epic 2026, a prova mais brutal e prestigiada do mountain bike mundial.

Desde o prólogo, disputado no último domingo em Meerendal, a dupla da Scott Brasil ocupa a segunda posição geral na categoria Toyota Mixed. Ficam atrás apenas de Jenny Rissveds, medalhista de ouro olímpica e Simon Andreassen, profissional de elite do circuito de Copa do Mundo. Dois atletas do mais alto nível do ciclismo. E logo atrás deles, firmes, estão os brasileiros.

Hugo é campeão mundial master de maratona de MTB, fundador da OCE Powerhouse e acumula mais de três décadas e 500 competições no currículo. Gabriela é a campeã geral feminina do Iron Biker Brasil 2025, integra desde este ano o Scott–Vultrö–FreeForce Brasil Team MTB e já disputou a Cape Epic em 2025 ao lado do pai, Pedro Ferolla, quando terminou entre as cinco melhores duplas mistas.


Experiência e juventude pedalando na mesma direção. É exatamente o tipo de parceria que a Cape Epic exige: oito dias, quase 16 mil metros de elevação, decisões tomadas sob estresse extremo e a obrigação de se manter sincronizado com o parceiro, quilômetro após quilômetro.

Nas três primeiras etapas, que incluíram Montagu sob calor brutal, a etapa mais longa da prova com 140 km até Greyton e tudo o que a Cape Epic tem de caótico, a Scott Brasil não vacilou. Enquanto equipes ao redor sofriam com furos, problemas mecânicos e abandonos, Hugo e Gabriela seguiram no ritmo planejado. Sem arriscar demais. Sem recuar. Segundo lugar consolidado.

A corrida segue até sábado, 22 de março, com mais quatro etapas pela frente, incluindo a temida Etapa 5, considerada a rainha da Cape Epic, com 128 km e 2.700 metros de desnível. Os resultados podem ser acompanhados ao vivo pelo canal oficial da Absa Cape Epic no YouTube.

Para o mountain bike brasileiro, o que está acontecendo na África do Sul é mais do que um resultado: é um sinal de maturidade. De uma geração que não espera convite, vai, compete, e se posiciona entre os melhores do mundo.
O pódio está a dois profissionais de distância. E cada quilômetro percorrido é mais uma prova de que essa distância está diminuindo.

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