Pular para o texto
LANÇAMENTOS
SALE
ROUPAS
CALÇADOS
ACESSÓRIOS KITS
BAZAR
SOBRE

Rafael Moura: Quando Competir Deixa de Ser Obrigação e Vira Escolha

Depois de uma carreira marcada pela alta performance no futebol, Rafael Moura encontrou no triatlo uma nova forma de competir, agora contra os próprios limites, com mais leveza, maturidade e a família por perto.

Por muitos anos, Rafael Moura conheceu o esporte pelo lado mais intenso da competição. Dentro dos gramados, o resultado nunca era apenas resultado. Havia torcida, imprensa, dirigentes, títulos, cobranças e a expectativa permanente de ser melhor. Ex-atacante de clubes como Atlético-MG, Corinthians, Fluminense, Goiás e Internacional, o jogador encerrou a carreira profissional em 2021, depois de 593 partidas oficiais e 178 gols. Mas a aposentadoria não significou o fim da vida esportiva. Talvez tenha significado justamente o contrário. Depois de um ano sabático, veio o beach tennis. Em seguida, o triatlo. A nova modalidade trouxe um desafio diferente: reunir três esportes: Natação, ciclismo e corrida e evoluir em todos eles. 

“O que fascina no triatlo realmente são as três modalidades”, conta Rafael.
A natação, que não fazia parte de sua trajetória esportiva, virou um dos desafios. A corrida, por outro lado, já estava incorporada à sua história, enquanto o ciclismo trouxe uma nova habilidade a ser desenvolvida. Mais do que competir com outros atletas, Rafael encontrou satisfação em acompanhar a própria evolução.

“Essa dificuldade de você poder encaixar três esportes e se desafiar, você contra você mesmo, você bater seu tempo, você melhorar cada segundo, cada ganho que você tem.” É aí que começa a aparecer a principal mudança em sua relação com a competição. No futebol, a cobrança vinha de todos os lados. Torcida, imprensa e dirigentes faziam parte de uma rotina em que resultado e títulos eram obrigação. No endurance, Rafael passou a escolher as próprias provas, controlar os treinamentos e definir os objetivos.

“Agora eu decido qual prova vou fazer, qual jogo de beach tennis eu vou fazer, marco a nossa viagem, de uma forma muito, muito mais prazerosa.” A alta performance continua presente. O que mudou foi a maneira de enxergá-la. O atleta que se definia pela competitividade hoje fala em paciência, processo e respeito pelo próprio ritmo.

“Então agora uma nova versão do Rafael, um pouco mais paciente.” Essa mudança ultrapassou o esporte. Segundo ele, o triatlo também trouxe reflexos para sua vida pessoal, especialmente na relação com a família. “Hoje eu sou um homem muito mais paciente em casa, mais paciente com a minha esposa, com as minhas filhas.” E a família passou a ocupar um espaço que antes era difícil de conciliar com a rotina do futebol. “Uma das coisas mais importantes é que o futebol por anos me afastou da minha família. E agora todo esporte que a gente faz após a aposentadoria é sempre com a família junto.”

O Rio como ponto de partida Foi no Rio de Janeiro que essa nova fase começou. A cidade, onde Rafael morou por quase seis anos, foi também onde encerrou a carreira no futebol e começou a jogar beach tennis. Por isso, fazia sentido que fosse ali sua estreia no triatlo. “Propositalmente a gente iniciou lá porque foi onde eu aposentei do futebol. Eu iniciei o beach tennis também no Rio de Janeiro. Então a minha fase no triatlon tinha que começar no Rio de Janeiro.” O Ironman 70.3 do Rio se tornou, desde então, uma prova especial no calendário. Mais do que uma competição, é um lugar onde diferentes momentos de sua vida esportiva se encontram. 

“Voltar ao Rio sempre é mágico.” Na edição deste ano, porém, a estratégia era diferente. Depois de uma sequência intensa de provas e com a vaga para o Mundial já conquistada, a ideia era controlar o esforço. Só que a velha competitividade apareceu quando Rafael percebeu que a natação havia sido muito boa. “Meu lado competitivo quis que eu fizesse um tempo bom final de prova.” Até que, no quilômetro 4 do ciclismo, um problema mecânico obrigou-o a parar duas vezes. O plano inicial precisou ser abandonado. Foi quando veio uma das principais lições do endurance: nem tudo está sob controle. “Ali eu vi que o plano realmente não era só meu e do treinador, mas também o plano de Deus.” A partir dali, a prova ganhou outro significado. Em vez de perseguir um tempo, Rafael passou a aproveitar o percurso e preservar energia para o restante da temporada.

Da estrada para a montanha
Pouco depois do 70.3, veio um desafio completamente diferente: a La Misión. A prova de trail colocou Rafael diante de outro tipo de esforço, com altimetria e descidas íngremes. Mas, dessa vez, o principal objetivo não era performance. Ele havia prometido aos amigos que participaria e decidiu fazer a prova ao lado deles. “Pra mim, a La Misión veio realmente com essa missão de acompanhar os amigos, de ser o companheiro, de estar cedendo o meu tempo, cedendo a minha energia em prol das pessoas que gostam do trail.” O corpo cobrou. Depois da prova, Rafael passou quase três dias com dores intensas e dificuldade para andar e subir escadas. Ainda assim, a experiência representou exatamente o que ele buscava naquele momento: chegar perto de um novo limite. “Esse ano eu me propus a me desafiar, a chegar próximo do meu limite, que foi o que realmente aconteceu.”

A mesma obsessão, outro significado
Apesar das mudanças, uma coisa permaneceu: Rafael continua precisando do esporte. 3 Rafael Moura: quando competir deixa de ser obrigação e vira escolha. “Minha busca incessante por adrenalina, por endorfina, isso que me motiva.” Cross, futebol, beach tennis e triatlo formam, para ele, diferentes capítulos de uma mesma história. 

Em cada modalidade, existe a vontade de aprender, melhorar e descobrir até onde consegue chegar. Mas agora existe uma diferença fundamental: ele não precisa mais provar nada para ninguém. “Eu tenho o comando e o controle da minha vida e dos meus treinamentos.” A competição deixou de ser uma obrigação profissional e se transformou em um compromisso pessoal. “Essa é uma obrigação comigo mesmo, porque ela deixa de ser uma obrigação e vira hábito de vida.” Talvez seja essa a grande virada da trajetória de Rafael Moura.

O competidor continua ali, mas hoje ele não precisa necessariamente vencer o adversário ao lado. Precisa apenas ser melhor do que foi antes. E, nessa nova fase, performance e prazer deixaram de ser opostos. “É leve, com a presença da família, com maturidade, com a percepção e o entendimento que é uma luta minha contra mim mesmo. Pra que eu seja a melhor versão a cada treinamento, a cada prova.” Por isso, quando fala sobre o momento atual, Rafael não parece estar procurando uma nova carreira esportiva. Está simplesmente vivendo aquilo que sempre fez parte dele, mas de uma maneira diferente.

“O triatlo tá sendo magnífico para esse momento de vida.” E talvez a melhor definição venha justamente no final: “Posso dizer que tem sido um momento mágico. Hoje sinto que todas as áreas da minha vida estão completas, e talvez esse seja um dos melhores momentos da minha vida.”

OUTRAS MATÉRIAS...