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Bravinho e Uma Vitória Construída a 60 km da Chegada

Henrique Bravo venceu o Il Lombardia U23 depois de uma longa perseguição à fuga e mais de 20 quilômetros sozinho até a chegada. Aos 20 anos, o brasileiro fecha uma temporada que já entrou para a história.

Tem corrida que se ganha nos últimos quilômetros. A do Bravinho começou bem antes. No último sábado, 3 de outubro, Henrique Bravo venceu o Il Lombardia U23, em Oggiono, na Itália. Foram 177 quilômetros de prova e uma daquelas corridas que parecem feitas para o tipo de ciclista que ele vem se tornando: muita subida, mudanças de ritmo e um final em que já não existe espaço para esconder as pernas.




O Il Lombardia U23, antigo Piccolo Lombardia, é uma das principais clássicas do calendário Sub-23 europeu. A prova chegou à sua 98ª edição em 2026, reunindo 35 equipes de 18 países. O percurso deste ano ficou ainda mais seletivo, com quatro passagens pela subida de Ello e, na parte final, nomes conhecidos do ciclismo italiano como a Madonna del Ghisallo, Colle Brianza e Marconaga di Ello.

E foi justamente no meio dessa sequência de subidas que Bravinho decidiu transformar a corrida.

Do pelotão à fuga
Quem acompanha Henrique Bravo já conhece um pouco da história. Mineiro de Nova Lima, 20 anos, ele chegou ao ciclismo profissional depois de passar pelo MTB e hoje corre pela equipe de desenvolvimento da Soudal Quick-Step. Em 2026, vem fazendo uma temporada que colocou seu nome entre os principais talentos do ciclismo Sub-23: venceu o Tour of Antalya, a Oberösterreich Rundfahrt e o Giro della Valle d’Aosta, além de terminar em terceiro no Giro d’Italia Next Gen e em segundo no Tour da Eslováquia. No Giro della Valle d’Aosta, tornou-se ainda o primeiro brasileiro a vencer a tradicional prova italiana.

Por isso, não foi exatamente uma surpresa ver seu nome entre os favoritos em Oggiono. Mas o jeito como ele venceu foi. A corrida tinha uma fuga na frente, com mais de três minutos de vantagem, enquanto o pelotão se aproximava das partes mais duras do percurso. Na subida principal, a cerca de 60 quilômetros da chegada, Henrique atacou.



E, como ele mesmo contou depois da prova:
“Ataquei nessa subida, só que tinha a fuga e a gente não tinha ninguém da equipe.”
A partir daí, começou uma corrida praticamente particular. Bravinho conseguiu ficar perto da fuga no topo da subida. Ainda havia trabalho pela frente: ele rodou com outro ciclista que havia sobrado da fuga e, já no circuito final, a diferença começou a desaparecer. Até que, faltando pouco mais de 20 quilômetros, ele chegou nos homens da frente.

E não parou.
“E aí busquei a fuga e aí ataquei logo na hora que eu busquei eles.”
Foi o momento que definiu a prova.

Os últimos 21 quilômetros
Depois de mais de 150 quilômetros de corrida, Henrique estava sozinho na frente.
Ainda faltavam cerca de 21 quilômetros para Oggiono.

Na prática, era preciso sustentar o ataque, administrar as subidas que ainda apareciam no caminho e chegar inteiro até a linha de chegada. No Colle Brianza, a aproximadamente 22 quilômetros do final, veio a aceleração que abriu de vez a vantagem. Depois, Bravinho sustentou a diferença na subida de Marconaga di Ello e na descida até Oggiono.

No fim, cruzou a chegada sozinho, depois de uma ação de aproximadamente 60 quilômetros.
“Foi massa demais e muito feliz, né? Esses últimos vinte e um quilômetros ali, escapado. Mas foi um dia top demais, muito contente.”

Depois de uma corrida inteira no ataque, a vitória veio com Bravinho sozinho nos últimos 21 quilômetros até Oggiono. Um daqueles dias que ficam marcados na temporada.

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